terça-feira, 10 de abril de 2018

PROJECTO 100 ANOS 100 ÁRVORES NA PAMPULHA

PROJECTO 100 ANOS 100 ÁRVORES NA PAMPULHA

CENTENÁRIO DA GRANDE GUERRA 1914-1918


PROJECTO 100 ANOS 100 ÁRVORES

O Projecto 100 Anos 100 Árvores, tem como objectivo homenagear todos aqueles que participaram na Grande Guerra, recordando o envolvimento dos portugueses no conflito - os soldados mortos, feridos ou feitos prisioneiros em combate, e os civis que participaram de forma desinteressada como foi o caso das enfermeiras.

A melhor forma encontrada para essa homenagem, em vez de novas placas ou monumentos em pedra e bronze sem vida, foi plantar 100 árvores, paradigma de vida, em arruamentos e jardins de toponímia ligados à Grande Guerra em Lisboa, tantas quantos os anos decorridos desde então até à data de hoje e durante cinco anos, tempo de duração do conflito (1914/1918), envolvendo os cidadãos  num acto simbólico de apreço a todos aqueles que em Portugal, África e na Europa estiveram directamente envolvidos com a Grande Guerra. Será um manifesto pela Paz em memória de todos os cidadãos anónimos que sofreram os horrores da guerra.

Através da plantação de árvores no espaço público cumpre este projecto a sua missão cívica,  simbólica mas actual porque contribui para a qualidade de vida de todos os habitantes e visitantes de Lisboa. Em memória do passado, os cidadãos do presente deixarão um legado verdadeiramente vivo para as futuras gerações.

No passado dia 9 de Abril, foi a vez da Pampulha receber a árvore nº 66 no decorrer de uma cerimónia que contou, para além dos membros da organização do Projecto, com a presença do Sr. Presidente da Junta de Freguesia da Estrela, Dr. Luís Newton, do Sr. Director do Museu Nacional de Arte Antiga, Dr António Filipe Pimentel, representantes da Divisão dos Espaços Verdes da Câmara Municipal de Lisboa, entidade que tem colaborado activamente com o projecto desde o seu início, descendentes de antigos combatentes da Grande Guerra e muitas crianças e  moradores da Pampulha,

A cerimónia pretendeu relembrar o acontecimento trágico e ao mesmo tempo heróico da batalha de La LYS, na Flandres Francesa, onde o Corpo Expedicionário Português (CEP) enfrentou a ofensiva do poderoso exército alemão, que não conseguiu deter, tendo, como resultado, sofrido 7.000 baixas entre mortos feridos e prisioneiros.

Foi plantada uma Araucária no decorrer de uma "cerimónia com muita dignidade", nas palavras do Dr. António Pimentel, que esperemos  fique por muitos anos perpetuando este momento no jardim 9 de Abril.





Em cada árvore plantada é colocada uma placa com o número de série e o nome científico da espécie. Na imagem está a placa da primeira árvore plantada no dia 11 de Novembro de 2014, primeira de cem.







Araucária no Jardim 9 de Abril





Os membros da organização do projecto "100 Anos 100 Árvores".

ASSOCIAÇÃO LIGA DOS AMIGOS DO JARDIM BOTÂNICO

ASSOCIAÇÃO PORTUGUESA DOS ARQUITECTOS PAISAGISTAS

ASSOCIAÇÃO LISBOA VERDE  

sexta-feira, 30 de março de 2018

A TAPADA DAS NECESSIDADES

A TAPADA DAS NECESSIDADES


A Tapada das Necessidades é uma zona de  Reserva Florestal, murada, com área de 10 hectares, adjacente ao antigo Convento e Palácio das Necessidades onde, desde 1916, se encontra instalado o Ministério dos Negócios estrangeiros, fazendo parte integrante desde 1983 da sua zona Especial de Protecção como Imóvel de Interesse Público.
A história da Tapada das Necessidades prende-se com a existência da Ermida  dedicada a Nossa Senhora das Necessidades, datada de 1604. Em 1742, D. João V manda construir uma Ermida maior, um convento e um palácio para sua residência por aquisição de terras agrícolas circundantes. Em 1843, D. Fernando II mandou redesenhar o jardim transformando a zona de hortas em jardim inglês, tarefa executada por Bonard. Ainda no século XIX (1855-1861), fica a dever~se a D. Pedro V a construção da estufa circular,  em honra de sua esposa a Rainha D. Estefânia, e o Rei D. Carlos (finais do séc. XIX), manda construir um campo de ténis e o pavilhão conhecido por casa do regalo, que serviu de atelier de pintura da Rainha D. Amélia.
Estas são as construções, juntamente com a Casa do Fresco, o Moinho e o Jardim Zoológico, para além da bela estatuária, que sobressaem do conjunto edificado na Tapada. Do ponto de vista botânico  há a destacar o Jardim dos Cactos, considerado um dos melhores da Europa.
Também  a presença de diversas estruturas das quais a mais representativa é a Mãe de Água atestam o atravessamento da Tapada por ramificações  do Aqueduto das Águas Livres que em tempos forneceu água à Tapada, ao Palácio e ao Convento das Necessidades.
(Texto retirado do desdobrável publicado pelo Grupo dos Amigos da Tapada das Necessidades (GATN)














AS ÁRVORES DA TAPADA DAS NECESSIDADES

O TEIXO (Taxus baccata)







CLASSIFICAÇÃO CIENTÍFICA
Reino: Plantae
Divisão: Pinophyta
Classe: Pinopsida
Ordem: Pinales
Família: Taxaceae
Género: Taxus
Espécie: Taxus baccata L.

ORIGEM E LOCALIZAÇÃO GEOGRÁFICA
O TEIXO, (Taxus baccata) é uma árvore Gimnospérmica (subdivisão dos Espermatófitos-plantas com semente) que pertence à família das taxáceas, tal como as restantes coníferas, só que não produz cones nem é resinoso.
As taxáceas representam um ramo evolutivo das coníferas que se diferenciaram muito cedo dos outros grupos. O apogeu da sua evolução situa-se na Era Terciária e do que existiu, pouco chegou até nós. Actualmente, o Género Taxus apenas tem oito espécies, que alguns especialistas consideram como sendo variações geográficasde uma raça comum sobrevivente da dita Era.
Nasce de forma espontânea nas terras altas de Portugal, podendo no entanto ser também cultivada. Encontram-se algumas centenas deexemplares sobretudo nas serras do Gerês e da Estrela.
Na ilha da Madeira e Canárias aparece como planta indígena e rara.
Além da ilha da Madeira, surge também na Europa continental, Ásia ocidental e Norte de África.
É originária da Europa, Norte de África e Sudoeste da Ásia.

CARACTERÍSTICAS
Árvore pequena de 10 a 15 metros que excepcionalmente pode atingir os 25 metros de altura, embora frequentemente tenha um porte arbustivo, muito ramificada desde a base; copa densa e, se isolada, com forma piramidal ampla com ramos horizontais e raminhos ascendentes; tronco canelar, recto, por vezes irregular; Casca castanho-avermelhada, lisa quando jovem, depois torna-se escamosa, sulcada e com o envelhecimento, esfolia-se em placas.
Espécie que cresce nas florestas mistas da Europa. Tolera a sombra assim como a plena luz. Exige atmosfera e solos húmidos com preferência para solos calcários. Suporta bem o frio mas é sensível à geada. Cresce até 1.500 m de altitude, ou mais. Árvore de crescimento lento que pode viver de 1.500 a 2.000 anos. Propaga-sepor semente, por rebentação da toiça e também por estaca.
Os ramos crescem por gomos, muito numerosos, ovóides, pequenos, escamosos e verde-amarelados.
É uma espécie resistente à poluição urbana.
FOLHAS
As folhas são persistentes, lineares, planas, de 1 a 3 centímetros de comprimento, são aciculares, pontiagudas mas não picantes, flexíveis, lineares, achatadas, de 2-4 cm de comprimento e 3 mm de largura, verde-escuras na página superior e com duas listas verde-amareladas, pouco visíveis na página inferior.
FLORES
Espécie dióica, isto é, com indivíduos masculinos e femininos distintos. Floresce entre Março e Abril. As flores masculinas, muito numerosas, emergem, inclinadas para baixo, individualmente nas axilas das folhas, de forma esférica, amareladas, solitárias, providas de 6-14 estames, e as flores femininas, pendentes e pouco visíveis, verdes, aos pares ou solitárias, na extremidade dos raminhos, contêm um óvulo rodeado de brácteas (pequenas folhas modificadas).
FRUTOS
Os pés femininos dão nos finais do Verão e durante o Outono do mesmo ano um falso-fruto, que não é mais que uma semente ovóide, tóxica, de 6 a 7 mm envolvida por uma cápsula (arilo) carnuda, vermelha quando madura, não tóxica.
UTILIZAÇÃO
As medidas tomadas em favor da protecção do teixo começam a darbons resultados, aparecendo como árvore ornamental em áreas florestais, por os exemplares femininos darem uma semente envolta numa cápsula de um vermelho vivo durante parte do Outono e Inverno, que contrasta com as folhas verde-escuras.
A sua madeira é resistente, flexível, bastante dura, avermelhada ou castanha, e de boa qualidade. É aproveitada no fabrico de peças de mobiliário, torneados, esculturas e arcos de flechas; é também apreciada por imitar o ébano quando tingida de preto; as suas raízes servem para fazer os arcos de violino.
Como suporta bem a poda é também usado em sebes e ornamentação.
OBSERVAÇÕES
Com excepção da cápsula vermelha que envolve as sementes, todas as partes verdes do teixo possuem um alcalóide tóxico, a taxina, que o torna perigoso, tanto para os animais como para os homens, característica que explica a sua destruição sistemática de há séculos para cá. Tal acção do homem colocou a espécie em vias de extinção, e por isso deve-se ter cuidados em não colher ou danificar especímenes no seu meio natural.
Se a taxina é tóxica para os homens e outros animais, esta substância tem sido utilizada na luta contra o cancro.
O que mais uma vez ilustra a necessidade absoluta de preservar a biodiversidade.
CURIOSIDADES
- Na Idade Média utilizava-se a madeira de teixo na construção de bestas e no fabrico de arcos de flechas. Pensa-se que era a matéria prima para os arcos de Robin dos Bosques, principalmente por ser a madeira utilizada nos arcos de guerra ingleses desse período.
- Caso raro numa conífera, as estacas do teixo são arbustivas, o que facilita a propagação desta espécie, designadamente por “mergulhia”.
- Devido à sua longevidade (que o associa à vida eterna) e à sua toxicidade, que proíbe o acesso dos cemitérios ao gado, o teixo orna muitos cemitérios, nomeadamente em vários países do norte da Europa.
- É considerada uma espécie vulnerável podendo vir a correr riscos de extinção em Portugal, pois está muito circunscrita em sítios montanhosos e elevados das serras do Gerês e Estrela.O seu declínio deve-se à destruição dos seus habitats naturais, como a desflorestação, e ao facto de a sua casca, folhas e sementes serem venenosas e por isso terem sido alvo de perseguições das populações.
- “ Andei há tempos várias léguas para ver um teixo, que é uma árvore que os botânicos dizem que vai acabar”.
Miguel Torga (in Diário IV, de Novembro de 1947)

- É de considerar também que o nome do rio Tejo tenha derivado desta planta. De facto a abundância do teixo nas serras onde nasce o rio Tejo, a importância cultural que esta árvore tinha para os povos locais e a procura deste recurso por parte de Roma resultasse no nome da planta ser atribuído ao próprio rio pelos romanos. Acresce a subsistência até aos nossos dias da proximidade fonética entre os nomes do rio e da planta nas várias línguas latinas da Península Ibérica.


PRESENÇA NA TAPADA DAS NECESSIDADES
Além do exemplar isolado, existente junto ao muro de suporte de terras, que tem o seu início perto da Estufa Circular, existe um outro, localizado perto da entrada sul, frente ao lago inferior e ao dragoeiro monumental (talvez o mais alto conhecido em Portugal).
EXEMPLARES CLASSIFICADOS NA CIDADE DE LISBOA
Existem dois exemplares classificados no Jardim Braamcamp Freire (Campo Santana) ou Campo dos Mártires da Pátria.
João Pinto Soares 


sábado, 13 de janeiro de 2018

RELACIONAMETO DA CONDESSA DE EDLA COM A TAPADA DAS NECESSIDADES, NA FREGUESIA DA ESTRELA



RELACIONAMENTO DA CONDESSA DE EDLA COM A TAPADA DAS NECESSIDADES,  NA FREGUESIA DA ESTRELA


Elise Friederike  Hensler,  nasceu na Suíça em La Chaus-de-Fonds, Neuchâtel, em 22  de Maio de 1836 e faleceu em Lisboa, na Freguesia do Coração de Jesus, em 21 de Maio de 1929, tendo recebido na morte o tratamento e as honras de uma figura de Estado; a rainha D. Amélia e o deposto rei D. Manuel II mandaram o visconde de Asseca como seu  representante ao funeral.

Percurso de vida

Aos doze anos, emigrou com a família para Boston, nos Estados Unidos, onde  recebeu uma cuidadosa educação. Amante das artes e das letras, terminou os seus  estudos  em  Paris. Ao longo  dos anos tornou-se fluente em sete idiomas. Além de cantora  e actriz,  Hensler era escultora, ceramista, pintora, arquitecta e floricultora.

Após o término da sua educação, Hensler actuou no Teatro alla Scalla, em Milão, Itália. No dia de Natal de 1855, em Paris, aos dezanove anos, deu à luz uma menina, batizada Alice Hensler, cujo pai era desconhecido, sendo provavelmente um conde de Milão, do qual esteve noiva.

No dia 2  de Fevereiro de 1860, Elise chegou a Portugal como membro da Companhia de Ópera de Laneuville para cantar noTeatro Nacional de São João, no Porto. Actuou  em seguida no São Carlos, em Lisboa, no dia 15 de Abril de 1860, interpretando o pagem Óscar da ópera “Um Baile de Máscaras”, de Verdi. D. Fernando II, presente à  sessão, apaixonou-se pela bela cantora, então com vinte e quatro anos.




Número 68 da Rua dos Remédios à Lapa, em Lisboa, casa onde viveu em 1860,  Elisa Hensler, mais tarde condessa de Edla, após o seu casamento com D. Fernando II.


Elise Hensler e D. Fernando II, rei  de Portugal

Em 10 de Junho de 1869, desposou  Fernando II,  em Benfica, na capela do palácio de S. Domingos. Recebeu o título de condessa de Edla dias antes da cerimónia, concedido por Ernesto II, Duque de Saxe-Coburgo-Gota. Foi  a segunda esposa de Fernando II  de Portugal, viúvo de D. Maria II. Mulher culta, dedicou-se com  o marido ao apoio de vários artistas, entre eles o mestre Columbano Bordalo Pinheiro e o pianista Viana da Mota.

Vida com D. Fernando II

O casal gostava de se refugiar em Sintra, onde D. Fernando tinha comprado o abandonado Mosteiro de Nossa Senhora da Pena e iniciou sobre os 80 hectares adquiridos, com a cumplicidade da condessa de Edla, a construção de uma das obras  mais marcantes do romantismo em Portugal. As plantações do Parque da Pena intensificaram-se por  volta  de 1869, tendo Elise procedido à introdução de espécies arbóreas naturais da América do Norte.

Também em Lisboa, a grande paixão do rei pela botânica e os largos conhecimentos   que tinha sobre esta ciência, levaram a  que, tendo chamado o jardineiro francês Jean Baptiste Bonard (1841), tivesse levado a cabo um trabalho que transformou radicalmente o aspecto dos 10 hectares da Tapada das Necessidades.

A importação de plantas destinadas aos jardins das  Necessidades e da Pena é  talvez  a  parte mais  bem documentada da contribuição do rei para o incremento da arte de construir jardins.

É de salientar, no entanto, que D. Fernando escolhe para a Pena  uma vegetação   menos exuberante que   para   as Necessidades,  na qual as  palmeiras  são   a  grande  novidade. Para  Sintra são as camélias, os  redodendros e  as  grandes árvores  resinosas  de origem americana ou asiática.

Na zona ocidental   do Parque  da Pena, em 1864, a condessa iniciou a construção de um chalé, o qual ela mesma  projectou  em estilo dos chalés alpinos, localizado face ao Palácio da Pena, mantendo com este uma importante relação visual. Em 1999, o chalé  da condessa de Edla foi  consumido por  um incêndio, estando neste momento aberto ao público depois de um processo de restauro.

Morte

Em 1885, D. Fernando faleceu e, em seu testamento, deixou à  sua viúva todos os seus bens, incluindo o Castelo dos Mouros  e o Palácio  da Pena, ambos em  Sintra. Foi D. Carlos I que, pagando 410 contos à condessa, conseguiu  recuperar  os dois castelos.

Elise  Hensler, depois disso abandonou Sintra e passou a viver com sua filha Alice, que se casou com Manuel de Azevedo Gomes. Faleceu na freguesia do Coração de Jesus, em  Lisboa, aos noventa e dois anos.

O seu jazigo encontra-se no cemitério dos Prazeres, em Lisboa, e recria o cenário verde da Serra de Sintra, que ela tanto  amava. Este jazigo, localizado na rua 2A com o n.º 6399, é da autoria de Raúl Lino sendo composto pela sobreposição de blocos irregulares de granito provenientes da serra de Sintra, assentes numa base quadrada de calcário, envolta em densa vegetação e encimados por uma réplica da Cruz Alta que se  encontra no sítio mais alto do Parque da Pena, em Sintra.



Túmulo de Elise Hensler, condessa de Edla no cemitério dos Prazeres.


Bibliografia
Teresa Rebelo, Condessa de Edla : a cantora de ópera quasi rainha de Portugal e de Espanha.
Lisboa: Alêtheia Editores, 2006 (ISBN 989-622-031-X).

Pinto Soares

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

A PRESENÇA DE AMÁLIA RODRIGUES NA PAMPULHA

A PRESENÇA DE AMÁLIA RODRIGUES NA PAMPULHA




Os primeiros e difíceis anos da vida de Amália  Rodrigues, de seu nome completo Amália da Piedade Rebordão Rodrigues Seabra, filha de Lucinda da Piedade Rebordão e de  Albertino de Jesus Rodrigues, estão indelevelmente ligados ao bairro de Alcântara e à Pampulha.


Nasceu em Lisboa, em 1920, no Pátio de Santos , junto à Rua Martim Vaz, a dois passos da Mouraria, em casa dos avós maternos. Quando tem seis anos de idade, os seus avós mudam-se para o  Pátio dos Quintalinhos, no bairro de Alcântara, onde Amália viverá até aos 19 anos, primeiro com os avós e depois com os pais. 
Vemos assim que grande parte da sua meninice passou-a no bairro de Alcântara, entre o Pátio dos Quintalinhos e a Calçada das Necessidades, o que a levou a dizer que "vivia numa aldeia dentro da cidade".

 A partir de  1929 frequentou a Escola Oficial da Tapada da Ajuda onde completou a instrução primária e onde, numa festa da escola,  cantou pela primeira vez em público. A partir de 1932, depois de terminar a escola primária abandona os estudos de que muito gostava, para ajudar no sustento da família, trabalha então como bordadeira e engomadeira e em 1933 como tarefeira na Fábrica de Bolachas da Pampulha. A partir de 1934 passou a viver com os pais, os quatro irmãos e as três irmãs, sempre na zona operária da Beira -Tejo. Em 1935, durante dois anos, vendeu fruta, num stand no Cais da Rocha, com a mãe e a irmã Celeste, dois anos mais nova.


Vemos, assim, que Amália Rodrigues teve a sua infância intrinsecamente ligada a Alcântara e à Pampulha, nomeadamente à Fábrica de bolachas da Pampulha de Eduardo Costa, situada na Cruz da Rocha, entre a actual Travessa dos Brunos e a Rua 24 de Julho (hoje Avenida 24 de Julho), onde trabalhou em 1933 como tarefeira, e na Rocha de Conde de Óbidos, onde trabalhou como vendedora de fruta.

Em 1935 participou na Marcha de Alcântara, já como solista, interpretando o "Fado de Alcântara". exibindo-se em  ruas e verbenas, acompanhada à guitarra pelo seu tio João Rebordão. 


Amália na Marcha de Alcântara de 1935


Ultrapassada essa fase difícil, em 1939, com 18 anos, estreou-se como fadista profissional no "Retiro da Severa" e a partir  daí a sua fama não parou de crescer, no teatro e no cinema, tornando-se conhecida em todo o Mundo e ascendendo a Símbolo Nacional.   De todo o modo a Pampulha e Alcântara guardam em si a honra de ter participado nos primeiros passos desta grande artista.

Foi casada em segundas núpcias com o Eng.º César Seabra. Faleceu no dia 6 de Outubro de 1999, tendo a sua morte sido sentida por todos os portugueses que lhe prestaram uma merecida homenagem. Os seus restos mortais jazerem no panteão Nacional, local reservado aos grandes vultos nacionais.





                           


Casa onde nasceu Amália Rodrigues
Pátio de Santos, Rua Martim Vaz, N.º 86, actual Freguesia de Arroios.



João Pinto Soares

segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

A Companhia União Fabril (CUF), na Pampulha



A COMPANHIA UNIÃO FABRIL (CUF), NA PAMPULHA



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Sede Administrativa da "Companhia União Fabril" (CUF), na Avenida 24 de Julho, esquina com a Avenida Infante Santo.

A Companhia União Fabril (CUF) fundada em 1865, com sede em Lisboa, dedicava-se, principalmente, à produção de sabão, velas de estearina e óleos vegetais. Viria a tornar-se um gigante da indústria, ao iniciar em Portugal a produção de adubos em grande escala.
                    
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                   "Fábrica União" em Alcântara, em 1881



Chaminé da "Fábrica União", hoje no interior do condomínio Alcântara-Rio








                Fachada da Fábrica na Rua Fradesso da Silveira

No espaço onde funcionava a "Fábrica União", foi construído em 2003 o condomínio "Alcântara-Rio". Da antiga fábrica resta a fachada na Rua Fradesso da Silveira e a Chaminé, para memória da fábrica que aí existiu. 




Hospital da CUF Infante Santo

O palácio Sassetti, na Travessa do Castro,Nº 3, construído por Carlos Augusto Bon de Sousa, visconde de Pemes, dada a sua proximidade com a Av. Infante Santo, foi o lugar escolhido para ser instalado em 1945 o "Hospital da CUF". 


Paineis em baixo-relevo no "hall" de entrada






Jardim interior com cinco árvores monumentais


Capela do Hospital






João Pinto Soares













quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

OS AZULEJOS NA PAMPULHA - AV. INFANTE SANTO

OS AZULEJOS NA PAMPULHA
O AZULEJO APLICADO COMO ELEMENTO DECORATIVO NO ESPAÇO PÚBLICO
OS PAINÉIS DE AZULEJO NA AVENIDA INFANTE SANTO


Quem desce a Avenida Infante Santo, do lado Nascente, vai descobrindo  sete painéis de azulejo, todos eles obra de artistas portugueses,  decorando as diversas escadarias que permitem o acesso ou a saída do Vale da Infante Santo. Também no início desta Avenida, um grande painel de azulejo reveste as paredes do  viaduto da Pampulha.

Estes painéis, que a Câmara Municipal de Lisboa instalou desde 1959, foram recentemente restaurados  e são, do Norte para Sul daquela Avenida, atribuídos a:


Maria Keil - "O MAR", 1958-59.


Carlos Botelho - "CIDADE COLORIDA", 1956-57



Júlio Pomar e Alice Jorge, Fábrica de Sant´Anna, 1958



Sá Nogueira "LISBOA RIBEIRINHA", 1959




Eduardo Nery, um painel cerâmico em tons de laranja, executado em 1994




Revestimento em azulejo na Avenida Infante Santo, na escadaria mais a sul, que dá acesso à Rua Joaquim Casimiro, junto à Rua Embaixador Teixeira de Sampaio, denominado pelo autor, Diogo Machado (Add Fuel), "Louvor da Vivacidade" , 2017.




Revestimento de azulejo no viaduto da Pampulha
Eduardo Nery - 2001
Fábrica Viúva Lamego


João Pinto Soares