O Projecto Pampulha Cria Valor está em execução. Pretende-se entre outros eventos a realização de um filme que valorize a Pampulha no todo da cidade de Lisboa.
Este blogue surge como uma oportunidade de partilha de recordações, de experiências e de solidariedade entre todos aqueles que de alguma forma se identificam com este local tão especial da cidade de Lisboa. Pretende ainda servir de apoio a quem necessite de informações ou de ajuda de carácter cultural ou social. Deve também contribuir para a divulgação da Pampulha e para a solução dos seus problemas urbanos. Contacte para: gabinetepampulha@gmail.com
sexta-feira, 23 de outubro de 2015
sexta-feira, 16 de outubro de 2015
domingo, 5 de julho de 2015
O BALUARTE DO LIVRAMENTO
O
BALUARTE DO LIVRAMENTO
Após
a Restauração da Independência, em 1640, D. João IV mandou
construir uma linha de defesa
que tinha origem na foz da ribeira de Alcântara e terminava na Cruz de
Pedra. Na zona de
Alcântara chegaram a ser construídos dois baluartes – o do Sacramento
junto ao rio, e o do Livramento mais a norte. Na zona
da Cruz de Pedra, foram
construídos outros dois; um dos quais o Baluarte de Santa Apolónia. Trata-se de
uma estrutura defensiva do séc. XVII, representativa da arquitetura militar
portuguesa, de forma pentagonal, da qual apenas subsistem a muralha da face
direita e as bases de duas guaritas. É Património Nacional, classificado como
Imóvel de Interesse Público ao abrigo do Decreto-Lei n.º 2 de 96 do Diário da
República 56, de 6 de Março.
Sobre
o Baluarte do Livramento, constante
do Inventário Municipal de Património, transcrevemos parte
de um artigo de Augusto Vieira da Silva publicado em DISPERSOS Volume III
(1960) - Biblioteca de Estudos Olisiponenses:
“
O baluarte, com dois andares ou terraplenos, assenta sobre um banco
calcário que forma um alto despenhadeiro
em parte da frente ocidental; as suas muralhas de cantaria e com grande altura,
ainda estão visíveis e relativamente bem conservadas. No ângulo saliente das muralhas
da frente pode ainda hoje observar-se uma guarita de
cunhal.
A
serventia para os dois terraplenos do baluarte
era pela Calçada do Livramento (porta n.º 17), rua em curva, que
provavelmente
foi construída
para este fim especial,
no seguimento da que vinha da ponte de Alcântara, e que
terminava, como hoje, no extremo ocidental do Largo das Necessidades.
Posteriormente
a 1834 todo este terreno foi alienado, e
o terrapleno inferior acha-se coberto de construções abarracadas e pátios; no
andar superior do baluarte, que bem se distingue ainda, vê-se um prédio com três pavimentos, revestido de azulejos,
e o respetivo jardim .”
Vemos,
assim, que o interior do baluarte está ocupado por edificações que entretanto
foram sendo construídas, como é o caso do Pátio dos Quintalinhos e da Casa de
Goa.
Quanto
ao prédio revestido de azulejos de rara beleza foi demolido para dar
lugar à construção de um edifício moderno
que esperemos
venha a respeitar as muralhas do
baluarte ainda existentes e o jardim que pertencia ao prédio agora demolido.
| Muralha do Baluarte com guarita de cunhal |
| Porta n.º 17 da Calçada do Livramento |
| Imagem da Muralha do Baluarte do Livramento |
![]() |
| Pátio dos Quintalinhos, construções dentro das Muralhas |
| Prédio revestido de azulejos, recentemente demolido |
quarta-feira, 18 de março de 2015
O CHAFARIZ DA COVA DA MOURA NA AVENIDA INFANTE SANTO
| Chafariz da Cova da Moura na actualidade |
O
Chafariz da Cova da Moura, adossado ao Aqueduto das Águas Livres, que o
alimentava, encontra-se situado no afloramento calcário com sílex
(Cenomaniano, com cerca de 97 milhões de
anos) aceite como Geomonumento pela Câmara Municipal de Lisboa , em protocolo
estabelecido com o Museu Nacional de História Natural, em 22 de
Junho de 1998,
como ocorrência geológica a preservar. Este afloramento é delimitado pela Calçada
das Necessidades e Av. Infante Santo.
O
Chafariz da Cova da Moura, mandado fazer
por aviso
de 9 de Fevereiro de 1786, recebia água do Aqueduto Geral e encontra-se
localizado num terreno camarário de cerca de 1.134 m2, que confina com a Av.
Infante Santo, frente ao n.º
54, e pertence à Freguesia da Estrela. Abastecia o quartel da Cova da Moura existente na antiga Rua da Torre da
Pólvora, tendo ambos (quartel e rua) sido demolidos em 1939 para dar lugar à abertura da Av. Infante Santo.
A
Freguesia da Estrela é atravessada
pelo Ramal das Necessidades do Aqueduto
das Águas Livres, classificado Monumento Nacional desde 1910
( DG 136 de 23-06-1910 ), que segue ainda hoje enterrado até à Calçada
das Necessidades onde sai para o exterior. Continuava pela actual Avenida Infante Santo em arcada que foi demolida em Setembro de 1949 para a construção daquela via, e segue pela
Travessa do Chafariz das Terras ( a Rua tem este nome num dos lados do aqueduto
e
do Pau de Bandeira no outro) até à Rua de S. Caetano. A
partir daí enterra-se novamente até às Janelas Verdes. O troço da Avenida
Infante Santo/ Rua do Pau de
Bandeira, encontra-se protegido desde 1998, pela Port. 512/98, DR 183, de 10-08-1998,
abrangido pela ZEP do Aqueduto.
Embora classificado
Monumento Nacional, por fazer parte integrante do Aqueduto das Águas Livres,
o Chafariz da Cova da Moura encontra-se há muito abandonado
e entregue à degradação provocada pelos
elementos naturais e pela intervenção do
homem, sendo incerto o seu futuro, já que existe um projeto urbanístico
para o geomonumento que o contem e sua
zona envolvente, tendo-se iniciado já as obras para a construção do parque de
estacionamento subterrâneo para automóveis na Rua Embaixador Teixeira de Sampaio e Av. Infante
Santo (Proc.
40/EDI/2011 – Alvará n.º 17/CE/3014), investimento conjunto da Empark e do
Hospital CUF Infante Santo, da José de Melo Saúde .
Tais
obras configuram a fase inicial de um processo que engloba também, por um lado, a construção de
um elevador de ligação à Calçada das
Necessidades, a construção de um jardim sobre o geomonumento, e por outro, a
construção de habitações na parte da
Calçada das Necessidades, nos. 8-8A e 10-10A. Estes projetos estão em
estudo na CML.
Quanto ao
Chafariz da Cova da Moura, embora Monumento Nacional, nada é
referido. Julgamos, contudo, que
na elaboração dos referidos
projetos, a Câmara Municipal de Lisboa deveria incluir a recuperação integral
do Chafariz da Cova da Moura e zona envolvente e a sua devolução ao usufruto dos lisboetas.
![]() |
| Desenho do local em apreço |
terça-feira, 23 de dezembro de 2014
ESPAÇO EXPECTANTE ARRANJADO PELA JUNTA DE FREGUESIA DA ESTRELA
ESPAÇO EXPECTANTE ARRANJADO PELA JUNTA DE FREGUESIA DA ESTRELA
terça-feira, 14 de outubro de 2014
Orçamento Participativo de Lisboa | Tapada das Necessidades
O RAMAL DAS NECESSIDADES DO AQUEDUTO DAS ÁGUAS LIVRES
O RAMAL DAS NECESSIDADES DO AQUEDUTO DAS ÁGUAS
LIVRES
A monumentalidade do
Aqueduto das Águas Livres no atravessamento do Vale de Alcântara com os seus 35
arcos, cujo maior atinge a altura de 65 metros.
A ideia de construir um Aqueduto que pudesse
transportar água até Lisboa remonta ao
século III, existindo ainda hoje alguns
vestígios da barragem romana de Olissipo, uma das maiores da
Península Ibérica, situada no Vale de Carenque, em
Belas. No entanto, até ao século XVIII,
Lisboa era abastecida pela água de
poços, cisternas e alguns chafarizes medievais. Foi a necessidade
imperiosa de
resolver as crises cíclicas de falta de
água, que levou D. Sebastião, em 1571,
a decidir transportar a
água a partir do mesmo local onde
os romanos teriam supostamente
construído o seu
Aqueduto, projeto que foi abandonado
devido a vicissitudes diversas, incluindo a própria
morte do monarca.
Em 1731, D.
João V assinou finalmente o alvará
que autorizou a construção do Aqueduto das Águas Livres, curiosamente indo buscar a água às mesmas nascentes, na
Quinta da
Água Livre, atravessada pela Ribeira de Carenque, já utilizadas pelos romanos. As obras, que puseram
fim a sete séculos de escassez de água, tiveram início no ano
seguinte e demoraram 102 anos a estarem
concluídas (1732 -1834) . Foi preciso
esperar por 1748
para que as primeiras águas chegassem á cidade e por 1834 para que o Aqueduto estivesse terminado, contendo por isso a marca de cinco monarcas –
D. João V, D. José I, D. Maria I, D. Pedro V e D. Maria II – e de seis mestres
principais, Manuel da Maia, Custódio Vieira, Carlos Mardel, Miguel Blasco,
Reinaldo dos Santos e Miguel Francisco Cangalhas.
O Aqueduto
das Águas Livres, com uma extensão aproximada de 14Km. , mais os aquedutos tributários com aproximadamente 34 Km. e as condutas para
os chafarizes com 12 Km., o que perfaz cerca de 60 Km de extensão total, foi perdendo gradualmente importância funcional, até ser
oficialmente seco em1967.
Para a sua
construção foi usada uma tecnologia avançada, absolutamente excecional
para a época, que permitiu que a água fosse transportada por
ação da força da
gravidade desde as nascentes, em
Belas, a uma quota de 178.98 metros, até Lisboa, à quota de 94.35 metros.
Essa tecnologia, bem patente na monumentalidade do
atravessamento do Vale de Alcântara com
os seus 35 arcos, cujo maior atinge a altura de 65 metros, mas também pela beleza e
funcionalidade dos 56 chafarizes ainda
hoje existentes, permitiu que o
Aqueduto não tivesse sido afetado pelo terramoto de 1755.
No entanto,
a grande dimensão da secção das suas
galerias, que para mais frequentemente se encontravam acima do solo, resultou
no que seria um forte espartilho para a
evolução da cidade. Por esta razão, o Aqueduto cedo foi sofrendo sucessivas demolições logo a
partir do início do século XX, apesar de se tratar de um Monumento Nacional, consagrado e protegido pela lei como tal desde 1910. (1)
Está neste
caso o Ramal das Necessidades,
amputado em 1955 para a abertura da
Avenida Infante Santo.
O Ramal ou Galeria das Necessidades
Arcos do
Aqueduto das Águas Livres, pertencentes ao Ramal das
Necessidades, no Alto da
Cova da
Moura, demolidos para
construção da Avenida Infante Santo.
A água,
era essencial para a
Tapada das Necessidades. Como cerca conventual de produção e
jardim de traçado barroco com
fontes e lagos, não teria
sido possível a sua manutenção sem a chegada da
água em grandes
quantidades pelo Aqueduto das Águas
Livres .
Face á insuficiência
da água na cerca, os Padres Oratorianos, a quem
tinha sido cedida por D. João V a ocupação do convento e respetiva cerca,
solicitaram ao
Rei D. José I que fossem
abastecidos pelo Aqueduto das Águas Livres . Embora contestada pelo povo, a galeria das
Necessidades foi construída no
final do séc. XVIII.
A Mãe-de-Água ou Pia Redonda,
situada no alto da Tapada com um mirante dominando todo o terreno.
O Ramal ou
Galeria das Necessidades nasce nas Amoreiras
e atravessando o Arco do Carvalhão, segue enterrado até à Mãe de água da Tapada das Necessidades,
da qual saem três ramais: um segue junto
ao muro ocidental da Tapada até ao distribuidor da portaria Sul e vai
abastecer o chafariz e repuxos do Obelisco no Largo das Necessidades - Jardim Olavo Bilac; o segundo
segue para nascente, para fora
da Tapada, seguindo à superfície,
atravessa o vale da Cova da Moura, atualmente a Avenida Infante Santo,
e segue
até às Janelas Verdes, abastecendo o respetivo chafariz e o
palácio dos Condes de Alvor, onde funciona hoje o museu de Arte
Antiga e que por essa altura (1755) era propriedade do Marquês de Pombal. Este
ramal permitia ainda conduzir a água aos chafarizes de
Campo de Ourique, da
Estrela, da Praça da Armada, da Cova
da Moura e das Terras, os dois primeiros já
desaparecidos; o terceiro ramal, o central, abastece a Tapada
e o Palácio e Convento das
Necessidades.
Pinto
Soares
(1) O Aqueduto foi classificado como Monumento
Nacional pelo Decreto-lei de 16
de Junho, publicado em 23 de Junho de 1910, tendo sido elaborada em 2002
uma nova redação com a redefinição
do percurso, detalhando com
mais pormenor toda a classificação
(Decreto de 19 de Fevereiro de 2002).
Subscrever:
Mensagens (Atom)







