Este blogue surge como uma oportunidade de partilha de recordações, de experiências e de solidariedade entre todos aqueles que de alguma forma se identificam com este local tão especial da cidade de Lisboa. Pretende ainda servir de apoio a quem necessite de informações ou de ajuda de carácter cultural ou social. Deve também contribuir para a divulgação da Pampulha e para a solução dos seus problemas urbanos. Contacte para: gabinetepampulha@gmail.com
quinta-feira, 10 de novembro de 2016
quinta-feira, 20 de outubro de 2016
PROJECTO "PAMPULHA CRIA VALOR" EM ACTIVIDADE NO SEGUNDO ANO CONSECUTIVO
PROJECTO "PAMPULHA CRIA VALOR" EM ACTIVIDADE NO SEGUNDO ANO CONSECUTIVO
| CERIMÓNIA PROTOCOLAR |
Desejamos para este Projecto que tanto tem feito em prol da Pampulha, as maiores felicidades.
Pinto Soares
segunda-feira, 3 de outubro de 2016
terça-feira, 9 de agosto de 2016
O PALÁCIO POMBAL E AS TERCENAS DO MARQUÊS
No sítio onde actualmente existe a avenida 24 de Julho (1) foram, até finais do século XIX, as chamadas "Tercenas de José António Pereira" ou "Tercenas do Marquês", assim chamadas por se tratar dum local onde se cuidavam das embarcações e havia armazéns para guardar aprestos. Após a construção do aterro, esta área passou a compreender a Travessa José António Pereira e o Beco da Galheta, constituindo provavelmente este último topónimo uma corruptela de calheta que constitui um sítio propício para encalhar barcos. Este local era portanto, outrora banhado pelas águas do rio Tejo.
| A Travessa de José António Pereira |
A Travessa de José António Pereira recorda-nos um abastado comerciante que foi um grande armador e proprietário de roças em S. Tomé, importador de café e outros géneros, tendo vivido no Palacete Pombal, na rua das Janelas Verdes.
José António Pereira veio a falecer em 1817 e, por volta de 1850, o palácio foi vendido ao comerciante Joaquim José Fernandes. Este tinha uma filha de nome D. Maria do Carmo Fernandes que era dama honorária da Rainha D. Amélia e casou em 1873 com António de Carvalho Melo e Duan de Albuquerque e Lorena, que veio a ser o 6º Marquês de Pombal, derivando daí a identificação do palácio e do próprio local como "Tercenas do Marquês".
Os terrassos do palácio foram construídos sobre o aterro e ligados entre si por passagens apoiadas em arcaria sobre as ruelas ali existentes. Num desses arcos existe uma lápide com a inscrição "Joze Antonio Pereira. Abril de 1805". Na fachada de um armazém existente na Avenida 24 de Julho, outra lápide menciona "Caes de Joze Antonio Pereira de 1801".
Futuro Incerto
Em Novembro de 2007, teve início o Projeto África.cont, com o fim de criar um “Centro multidisciplinar e interdisciplinar para o conhecimento de África e das suas diásporas nos seus desenvolvimentos contemporâneos”, a sua sede seria instalada no Palácio Pombal e num conjunto de edifícios a erguer ou recuperar nos terrenos municipais contíguos entre a Rua das Janelas Verdes e a Av. 24 de Julho e incluiria o aproveitamento dos edifícios degradados das “Tercenas do Marquês”, que serviam de armazéns ao Palácio Pombal.
Continua a aguardar-se que este ou outro projecto possa dar a este conjunto arquitectónico histórico um destino condigno e equilibrado no espaço monumental das Janelas Verdes.
Cronologia
1801 / 1805 - edificação do palacete pelo negociante e armador José António Pereira a partir de um núcleo arquitectónico previamente existente, constituindo uma vasta propriedade que ia até ao cais do Tejo, compondo a casa e tercenas e um grande armazém abobadado, datas gravadas num portão do antigo armazém e num dos arcos que forma passadiço entre o palácio e os armazéns, respectivamente; meados do séc. XIX - a construção do aterro transforma a zona da doca; colocação de azulejos, possivelmente fabricados na Fábrica do Rato; 1850 - aquisição do palacete por Joaquim José Fernandes para sua esposa D. Maria do Carmo Fonseca, vindo o mesmo a ser habitado pela filha de ambos, Maria do Carmo e pelo marido desta, o conde de Santiago, e 6º marquês de Pombal, D. António de Carvalho e Melo Daun de Albuquerque e Lorena (1850 - 1911); 1937 - o então proprietário do palacete, o 7º marquês de Pombal, D. Manuel José de Carvalho e Melo Daun de Albuquerque e Lorena, arrenda-o à Mocidade Portuguesa que aí procede à instalação da sua secretaria; meados do sec. XX os azulejos do jardim são vendidos pelo 8º Marquês, Sebastião José de Carvalho Daun de Lorena à Fundação Ricardo Espírito Santo; - 1968, 10 de Dezembro - aquisição do imóvel pela Câmara Municipal de Lisboa, o qual albergava então o colégio Infante Santo; 1970 - instalação no edifício do Centro Português de Actividade Subaquáticas, prevendo-se a criação do Museu Municipal da Vida Submersa; 1982 - a Câmara Municipal de Lisboa cedeu o edifício para ampliar as instalações do Instituto José de Figueiredo.
2020-Requerimento inicial do Procedimento de Classificação de Bens Imóveis
Elementos recolhidos do "BLOGUE DE LISBOA" de
13 de Maio de 2014 e
13 de Setembro de 2014
e ainda de
SIPA - Sistema de Informação para o Património Arquitectónico
(1) Porquê o topónimo Avenida 24 de Julho ?
Foi a 24 de Julho de 1833 que as tropas liberais, fieis a D. Pedro IV e comandadas pelo Duque da Terceira, desembarcaram em Lisboa, provocando a saída dos miguelistas.
A perda da capital desmoralizou os absolutistas que, mais tarde, a 26 de Maio de 1834, acabaram por assinar a Convenção de Évora-Monte, colocando, assim, um ponto final à guerra civil.
João Pinto Soares
Elementos recolhidos do "BLOGUE DE LISBOA" de
13 de Maio de 2014 e
13 de Setembro de 2014
e ainda de
SIPA - Sistema de Informação para o Património Arquitectónico
(1) Porquê o topónimo Avenida 24 de Julho ?
Foi a 24 de Julho de 1833 que as tropas liberais, fieis a D. Pedro IV e comandadas pelo Duque da Terceira, desembarcaram em Lisboa, provocando a saída dos miguelistas.
A perda da capital desmoralizou os absolutistas que, mais tarde, a 26 de Maio de 1834, acabaram por assinar a Convenção de Évora-Monte, colocando, assim, um ponto final à guerra civil.
João Pinto Soares
terça-feira, 26 de julho de 2016
A OBRA DAS NECESSIDADES
A OBRA DAS NECESSIDADES
A história da Obra das Necessidades prende-se com a existência desde 1604 de uma pequena Ermida de Nossa Senhora das Necessidades, cuja imagem fora trazida da Ericeira, e que, pelas curas e graças concedidas, rapidamente granjeou grande número de devotos.
D. Pedro II e D. João V foram também devotos de N. Senhora das Necessidades e, D. João V que atribuiu a cura de uma doença (1742) à intercessão da Virgem, pensou não só converter a pequena ermida em magnífica igreja para albergar a imagem de Nossa Senhora das Necessidades, como construir um palácio para sua habitação, e um hospício para os padres da Congregação do Oratório de S. Filipe de Neri, por aquisição de terras agrícolas circundantes. Nasceu, assim, a Obra das Necessidades como uma prova de Fé religiosa e vontade do Rei D. João V (1689-1750) e constitui um conjunto que, como tal, não pode ser analisado por partes. A Igreja, o Convento, a Tapada, o Palácio e a Praça do Obelisco constituem um todo, uma obra que foi pensada e projectada como uma unidade, constituindo hoje um valor único no Mundo, cabendo à cidade de Lisboa o privilégio e a responsabilidade da sua guarda.
No entanto, apesar de todo o empenho posto por D. João V na conclusão desta obra, a sua morte, em 31 de Julho de 1750, impediu-o de assistir à sua conclusão.
DEPOIS DE D. JOÃO V
O primeiro monarca a estabelecer-se definitivamente no Palácio das Necessidades foi a Rainha D. Maria II, em 1833.
Em 1836, D. Maria II, casou, em segundas núpcias com D. Fernando de Saxe Coburgo Gotha, mais tarde II de Portugal.
Em 1843, D. Fernando II mandou redesenhar o jardim da Tapada transformando a zona de hortas em jardim inglês, tarefa executada por Bonard, em 1855-1861. Também a ele se deve a construção do Jardim zoológico, para o ensino das Ciências Naturais aos seus filhos.
D. Pedro V, filho de D. Maria II e de D. Fernando II (séc. XIX), manda construir a Estufa Circular e a Casa do Fresco e o Rei D. Carlos (finais do séc. XIX), manda construir um campo de ténis e o pavilhão, conhecido por casa do regalo, no local onde outrora funcionou o observatório astronómico dos padres Oratorianos, que serviu de atelier de pintura da Rainha D. Amélia e é hoje (2016) o gabinete do antigo Presidente da República Portuguesa, Dr. Jorge Sampaio.
D. Carlos é assassinado em 1908, quando regressava às Necessidades, vindo de Vila Viçosa e D. Manuel II, último rei de Portugal, é obrigado a deixar o Palácio das Necessidades para, com a família real, embarcar na Ericeira, curiosamente o mesmo local onde começa a história do Conjunto das Necessidades, para o exílio na Inglaterra.
DURANTE A REPÚBLICA
Com a República, o Palácio das Necessidades é integrado no património nacional do Ministério das Finanças. Em 1911 instalam-se na parte do convento diversos serviços militares e depois o Governo Militar de Lisboa, e na parte do palácio, a partir de 1916, serviços do futuro Ministério dos Negócios Estrangeiros, cuja sede seria aí definitivamente instalada em 1950.
Também a Tapada passou a ser encarada numa vertente mais florestal. Em 1939 foi afecta à Direcção Geral dos Serviços Florestais e Aquícolas que nela efectuou trabalhos de recuperação e a criação de novos elementos como o Jardim dos Cactos, que se ficou a dever à intervenção do Eng.º Mendia quando era responsável dos Serviços Florestais pela gestão da Tapada.
Em 1954, a Direcção-Geral dos Serviços Florestais e Aquícolas, instalou na Tapada um Centro de Estudos de Mesologia e Desenvolvimento Florestal, por sua vez integrado em 1977 na Estação Florestal Nacional.
Mais modernamente, a Tapada iria ser, por Despacho Ministerial de 31 de Outubro de 1979, afecta à Estação Florestal Nacional que permaneceu nas Necessidades até transitar para Oeiras em 1998.
Em 1983, o Conjunto das Necessidades foi classificado Imóvel de Interesse Público (IIP) pelo Decreto n.º 8/83, DR, I série, n.º 19 de 24-01-1983.
Também, todo o arvoredo existente na Tapada das Necessidades encontra-se classificado de Interesse Público, pelo Aviso n.º 13, de 22 de Agosto de 2011, publicado na página da Internet da Autoridade Florestal Nacional.
NOS TEMPOS DE HOJE
Entretanto, pelo protocolo assinado em 23 de Outubro de 2008, o Ministério da Agricultura, do Desenvolvimento Rural e das Pescas cede, por um período de 30 anos, ao Município de Lisboa, a utilização do conjunto de edifícios e estrutura verde que integram a "Tapada das Necessidades" (com excepção da Escola Básica, respectivo Jardim de Infância e "Casa do Regalo").
João Pinto Soares
terça-feira, 21 de junho de 2016
FÁBRICA DE BOLACHAS DA PAMPULHA
A FÁBRICA DE BOLACHAS DA PAMPULHA
Eduardo Costa, morador e industrial do Bairro da Pampulha, fundou em 1875 aquela que foi a primeira fábrica de bolachas e biscoitos em Portugal. A Fábrica da Pampulha teve uma produção importante, tendo chegado a produzir mais de trezentos variedades de bolachas e biscoitos. Para além da fábrica tinha um depósito em Lisboa na Rua dos Retrozeiros, 32-34 ( hoje Rua da Conceição) e um outro no Porto, na Rua D. Pedro, 143-145.
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| A Fábrica de Bolachas da Pampulha |
Passavam depois para o quarto piso onde estavam as máquinas de cortar e os fornos para cozer e por fim passavam para o quinto piso onde eram seleccionadas e acondicionadas em caixas de folha-de -flandres, artisticamente coloridas.
Esta disposição, por andares, fazia sentido se percebermos que o terreno era inclinado e que a matéria prima entrava por baixo, pelo portão do aterro, na 24 de Julho, e saia depois por cima, uma vez que o quinto piso correspondia ao piso térreo da Travessa dos Brunos. No topo, na Travessa dos Brunos, encontrava-se uma vivenda, que era a casa de morada de António Costa.
Em 1902, a revista "O Ocidente" noticiava que na Fábrica da Pampulha trabalhavam 60 pessoas de ambos os sexos, que diariamente produziam 600 quilos de bolacha, sendo exportados por mês, para África, Brasil e Índia, cerca de 30 mil quilos. Chegavam a ser produzidas cerca de 400 variedades de bolachas e biscoitos, sendo a Maria a especialidade da casa.
A qualidade dos seus produtos era seguramente boa porque conseguiu ganhar vários prémios com os seus produtos. Era a época das Exposições Industriais chamadas Universais e os prémios nelas ganhos conferiam grande prestígio aos produtos. Na Exposição de Filadélfia. em 1876, ganhou uma medalha de mérito da Associação Promotora da Indústria Fabril e em 1878 uma outra medalha na Exposição de Paris. Em Portugal foi premiada na Exposição Agrícola de Lisboa, em 1884 e na Exposição Industrial Portuguesa de 1888.
Da grande variedade de bolachas infelizmente não foi feito qualquer registo, o que era habitual à época, mas percebe-se que o proprietário e os seus descendentes tiveram preocupações publicitárias que se manifestaram pela oferta de produtos promocionais, como calendários e outros.
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| calendário dedicado a Bernardino Machado |
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| Cartaz alusivo à Implantação da República |
O sítio da Pampulha, que remonta aos fins do século XVI, está hoje reduzido à Calçada da Pampulha que liga a Rua Presidente Arriaga à Avenida Infante Santo e era outrora conhecida por Rua Fresca ou Rua Direita da Pampulha.
Em relação à etimologia da palavra Pampulha, embora nenhum olisipógrafo avance uma explicação definitiva para a origem do nome, José Pedro Machado no seu Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa (1984) avançou a hipótese de a origem estar em "pão da Apúlia" (pan do português arcaico), indicando o local onde era recebido o trigo vindo da Apúlia italiana.
Pinto Soares
(A partir de elementos in: Semanário ilustrado Branco e Negro; Revista O Ocidente;Ilustração Portuguesa).
segunda-feira, 20 de junho de 2016
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