sábado, 16 de junho de 2018

PLAQUINHAS NA PAMPULHA

PLAQUINHAS NA PAMPULHA

Quem percorre o Sítio da Pampulha encontra fixadas nas paredes umas curiosas plaquinhas em bronze, ou o lugar onde se encontravam, que registavam a altura do local relativamente ao nível médio das águas do mar.

Pela sua curiosidade e raridade aqui se regista para a posteridade a  localização de mais um património do Século XIX, que corre o risco de se perder.

Nesta data, foi feito o pedido à Câmara Municipal de Lisboa para a sua inclusão no Inventário Municipal de Património, Freguesia da Estrela, no Plano Director Municipal(PDM) . 





Praça da Armada (17.8)




Travessa de José António Pereira (9.9)





Beco dos Contrabandistas/Praça da Armada (17.2)



Travessa do Sacramento a Alcântara (22.6)

Rua de São Félix (71.0)




 

Rua de Buenos Aires, prédio Nº 39 (83.3)                            


Parede da Igreja do Senhor Jesus do Triunfo - Rua Possidónio da Silva (desaparecida)

NOTA - Agrdecíamos a quem a tiver em seu poder ou souber do seu paradeiro, que comunique a sua localização a fim de ser reposta no seu local original.

Pinto Soares


quarta-feira, 9 de maio de 2018

ÁRVORES, POETAS E POESIA NA PAMPULHA

ÁRVORES, POETAS E POESIA NA PAMPULHA

FERNANDA DE CASTRO

Fernanda de Castro (1900-1994), foi poetisa, dramaturga, romancista, tradutora, autora de livros infantis, desenvolveu, a par da sua notável obra literária, uma acção ímpar em prol das crianças desfavorecidas. Lembrar que no início do século XX, Portugal atravessava um período de grandes carências, resultantes da entrada na Grande Guerra e do surto de tuberculose (pneumónica ou gripe espanhola). 

A ela se deve  a criação da Associação Nacional dos Parques Infantis; o parque nº 1, criado em 1933 no Jardim de S. Pedro de Alcântara; em 1937 é criado o Parque nº 2, no Campo Grande e, a 20 de Outubro de 1938, o Parque nº 3, na Tapada das Necessidades, hoje escola Fernanda de Castro.

Considerava Fernanda de Castro que para uma educação equilibrada, as escolas deveriam localizar-se no meio de Jardins, contactando as crianças directamente com a Natureza.                               

                                                                       
 



OLAVO BILAC

Olavo Bilac nasceu no Rio de Janeiro em 1865 e aí morreu em 1918. É um dos mais notáveis poetas brasileiros , tendo trocado correspondência com a Rainha D. Amélia. O Jardim/miradouro do Obelisco, no Largo frente ao palácio das Necessidades, recebeu o seu nome. 





LUÍS FILIPE MAÇARICO

Luís Filipe Maçarico nasceu em Évora, em 29-10-1952. Licenciado pela Universidade Nova de Lisboa - Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, em Antropologia, em 26-09-1994, com "Barbeiros de Alcântara - A Identidade Masculina e Bairrista entre estratégias de Sobrevivência e Ameaças de Extinção". Mestrado em Antropologia (Patrimónios e Identidades) no Instituto Superior das Ciências do Trabalho e da Empresa, com " Os processos de construção de um herói do imaginário popular - o caso de Santa Camarão". Em 2008 matriculou-se no Mestrado "Portugal Islâmico e o Mediterrâneo", leccionado pela Universidade do Algarve, no Campo Arqueológico de Mértola, que concluiu em 2012, com 17 valores. Figura incontornável da Pampulha, viveu durante muitos anos na Praça da Armada.







ISABEL OLIVENÇA  (MISA)


Isabel Olivença (Misa) cultivou, desde sempre, o gosto pela leitura e pela escrita e sente a poesia como "uma janela aberta ao maravilhoso mistério e magia das palavras".
Participa com frequência em workshops de escrita criativa, dedicados à poesia, ao conto e à escrita de viagens. Tem publicado pontualmente crónicas de viagens, participou numa colectânea de contos e em duas antologias de poesia e de prosa; em 2015, editou o seu livro de poesia Poemar.

Nasceu em Lisboa e reside, desde 1981, na Freguesia da Estrela, nutrindo um especial carinho pelos espaços verdes que tão bem conhece, em especial pelo Jardim da Estrela (local privilegiado das suas brincadeiras de criança), pelo Jardim 9 de Abril/Miradouro da Rocha  Conde de Óbidos e pelo  Jardim Olavo Bilac/Miradouro das Necessidades.


ÁRVORE

ÁR VO RE
VO AR
voar
quero voar
e voo
de uma árvore
e suplico
pelos salpicos do orvalho
deslizando das verdes folhas

quero voar
e voo
de uma árvore
para o mundo
liberto-me dos galhos
soltam-se os medos
voo
sobrevoo
o lado lunar das ruas
rumo à constelação de leão
equador
solstício de verão
terra incandescente
desassossego

VO AR
quero voar
e voo
de regresso à quietude da
ÁR VO RE

Ó árvore
abre o teu tronco
e deixa-me entrar
no país das maravilhas

Misa
2018




Decepadas

Decepadas,
as árvores,
no duro chão
no arenoso solo
decepadas rentes
pelo ventre.

Tombadas,
as árvores,
reinvento-as
azuis
verdes
ocres
fixo-as à retina
habitáculo da imaginação.

Vivem ainda,
as árvores,
nas raízes
na seiva
e sangram
sofrem do corte no ventre.

Irão emergir,
as árvores,
do duro chão
do arenoso solo?

Na natureza
tudo se transforma
e brota.

Misa
2018




CECÍLIA CUNHA


Cecília Cunha nasceu em Lisboa no ano de 1952 e reside na Freguesia da Estrela , tendo dedicado a sua vida às crianças com quem conviveu e acarinhou como educadora. A sua grande sensibilidade, para além do amor pelas crianças manifesta-se também na pintura, desenho e poesia que traduzem o seu modo de estar na vida.


Árvores sangrando

Árvores cortadas sangrando seiva,
mostrando à cidade a vergonha de aniquilar um dos seus bens mais preciosos.
As árvores morrem de pé.
A estas até isso lhe foi negado, sendo a sua dignidade mostrada aos cidadãos passivos, através do cenário dantesco de seiva tornada sangue e grito.

C/C

















            


domingo, 6 de maio de 2018

GEOMONUMENTOS DA INFANTE SANTO

GEOMONUMENTOS DA INFANTE SANTO


Geomunumento Poente

Geomunumento Nascente

Geomonumentos


Geomonumentos  são afloramentos geológicos; Monumentos Naturais que  perpetuam uma  memória e formam a página mais antiga da história da cidade de Lisboa. São   referências naturais  e geológicas hoje já raras que, poupadas á intensa edificação urbana, constituem um património de valor incalculável que urge preservar.
Na Avenida Infante Santo existem dois Geomomumentos constituídos por afloramentos de calcário  com sílex, provenientes do Período  Cretácico (Cenomaniano, com cerca de 97 milhões de anos): Um Nascente e outro Poente, ambos submetidos para classificação por proposta camarária n.º 770/2009.

O Geomonumento da Av. Infante Santo Poente, conjuntamente com a sua continuação Nascente, são um dos poucos afloramentos geológicos urbanos que constituem prova material direta da existência nesta região, há cerca de 97 milhões de anos, dum ambiente marinho tropical, pouco   profundo, que gradualmente  ocupou, no início  do  Cretácico Superior, o   que   eram áreas  lagunares    costeiras ricas   em vida marinha  que  deixaram a sua presença  na sequência de   rochas calcárias, em  alguns casos  com  intercalações nodulares  de   sílex que podem   ser   observados   neste  Geomonumento   lisboeta.   Com  a  emersão  das  rochas formadas, ocorreram  processos erosivos conduzindo à  formação   de grutas    que   serviram    de    abrigo   aos povos do Paleolítico, tendo os mesmos usado o  sílex presente  como matéria-prima  para  o fabrico de armas e utensílios.


 Medidas de proteção


  No  sentido   da    Salvaguarda    dos Geomonumentos   em Lisboa, o Museu    Nacional de História Natural, a Câmara Municipal de Lisboa, a Associação Lisboa Verde e outras entidades , têm, nos últimos anos desenvolvido esforços dos quais se salienta:

1 -  O Protocolo celebrado   entre o   Município   de Lisboa    e o Museu Nacional de História Natural em 3 de Fevereiro de 1998, que criou  o Projeto “Geomonumentos de Lisboa” e neste âmbito os 19 locais propostos como Geomonumentos;

2 -  O Decreto-Lei  n.º 142/2008, de 24 de Julho de 2008, que estabelece o  regime  jurídico  da  conservação  da natureza  e da biodiversidade, nomeadamente  o seu artigo 20.º que contempla os  monumentos  naturais:

Monumento natural

1 - Entende-se por monumento natural uma ocorrência natural contendo um ou mais  aspectos que,  pela sua  singularidade,  raridade ou representatividade  em  termos  ecológicos, estéticos, científicos e culturais, exigem a sua conservação e a manutenção da sua integridade.
2 - A  classificação de  um  monumento natural visa a proteção dos valores  naturais, nomeadamente ocorrências notáveis do património geológico, na integridade das suas características e nas zonas imediatamente
circundantes, e  a  adopção de  medidas compatíveis com os objectivos da sua classificação, designadamente:
a) A   limitação   ou   impedimento   das   formas  de exploração ou ocupação susceptíveis de alterar as suas características;
b) A criação  de  oportunidades  para a  investigação, educação e apreciação pública.
3 -  A proposta      camarária n.º 770/2009 que,   em    reunião   de   Câmara  de   2 de Setembro de 2009, aprovou    por   maioria    o Projeto   ”GEOMONUMENTOS   DE   LISBOA”  e  locais   propostos     como  Geomoumentos, aprovou    o     procedimento     para     a     sua classificação    como Imóveis     de Interesse Municipal e  aprovou o protocolo a  celebrar com celebrar   com  o Museu Nacional de História Natural, Museu Geológico e  Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa  para divulgação de  percursos turísticos  e  pedagógicos.




João Pinto Soares

terça-feira, 10 de abril de 2018

PROJECTO 100 ANOS 100 ÁRVORES NA PAMPULHA

PROJECTO 100 ANOS 100 ÁRVORES NA PAMPULHA

CENTENÁRIO DA GRANDE GUERRA 1914-1918


PROJECTO 100 ANOS 100 ÁRVORES

O Projecto 100 Anos 100 Árvores, tem como objectivo homenagear todos aqueles que participaram na Grande Guerra, recordando o envolvimento dos portugueses no conflito - os soldados mortos, feridos ou feitos prisioneiros em combate, e os civis que participaram de forma desinteressada como foi o caso das enfermeiras.

A melhor forma encontrada para essa homenagem, em vez de novas placas ou monumentos em pedra e bronze sem vida, foi plantar 100 árvores, paradigma de vida, em arruamentos e jardins de toponímia ligados à Grande Guerra em Lisboa, tantas quantos os anos decorridos desde então até à data de hoje e durante cinco anos, tempo de duração do conflito (1914/1918), envolvendo os cidadãos  num acto simbólico de apreço a todos aqueles que em Portugal, África e na Europa estiveram directamente envolvidos com a Grande Guerra. Será um manifesto pela Paz em memória de todos os cidadãos anónimos que sofreram os horrores da guerra.

Através da plantação de árvores no espaço público cumpre este projecto a sua missão cívica,  simbólica mas actual porque contribui para a qualidade de vida de todos os habitantes e visitantes de Lisboa. Em memória do passado, os cidadãos do presente deixarão um legado verdadeiramente vivo para as futuras gerações.

No passado dia 9 de Abril, foi a vez da Pampulha receber a árvore nº 66 no decorrer de uma cerimónia que contou, para além dos membros da organização do Projecto, com a presença do Sr. Presidente da Junta de Freguesia da Estrela, Dr. Luís Newton, do Sr. Director do Museu Nacional de Arte Antiga, Dr António Filipe Pimentel, representantes da Divisão dos Espaços Verdes da Câmara Municipal de Lisboa, entidade que tem colaborado activamente com o projecto desde o seu início, descendentes de antigos combatentes da Grande Guerra e muitas crianças e  moradores da Pampulha,

A cerimónia pretendeu relembrar o acontecimento trágico e ao mesmo tempo heróico da batalha de La LYS, na Flandres Francesa, onde o Corpo Expedicionário Português (CEP) enfrentou a ofensiva do poderoso exército alemão, que não conseguiu deter, tendo, como resultado, sofrido 7.000 baixas entre mortos feridos e prisioneiros.

Foi plantada uma Araucária no decorrer de uma "cerimónia com muita dignidade", nas palavras do Dr. António Pimentel, que esperemos  fique por muitos anos perpetuando este momento no jardim 9 de Abril.





Em cada árvore plantada é colocada uma placa com o número de série e o nome científico da espécie. Na imagem está a placa da primeira árvore plantada no dia 11 de Novembro de 2014, primeira de cem.







Araucária no Jardim 9 de Abril





Os membros da organização do projecto "100 Anos 100 Árvores".

ASSOCIAÇÃO LIGA DOS AMIGOS DO JARDIM BOTÂNICO

ASSOCIAÇÃO PORTUGUESA DOS ARQUITECTOS PAISAGISTAS

ASSOCIAÇÃO LISBOA VERDE  

sexta-feira, 30 de março de 2018

A TAPADA DAS NECESSIDADES

A TAPADA DAS NECESSIDADES


A Tapada das Necessidades é uma zona de  Reserva Florestal, murada, com área de 10 hectares, adjacente ao antigo Convento e Palácio das Necessidades onde, desde 1916, se encontra instalado o Ministério dos Negócios estrangeiros, fazendo parte integrante desde 1983 da sua zona Especial de Protecção como Imóvel de Interesse Público.
A história da Tapada das Necessidades prende-se com a existência da Ermida  dedicada a Nossa Senhora das Necessidades, datada de 1604. Em 1742, D. João V manda construir uma Ermida maior, um convento e um palácio para sua residência por aquisição de terras agrícolas circundantes. Em 1843, D. Fernando II mandou redesenhar o jardim transformando a zona de hortas em jardim inglês, tarefa executada por Bonard. Ainda no século XIX (1855-1861), fica a dever~se a D. Pedro V a construção da estufa circular,  em honra de sua esposa a Rainha D. Estefânia, e o Rei D. Carlos (finais do séc. XIX), manda construir um campo de ténis e o pavilhão conhecido por casa do regalo, que serviu de atelier de pintura da Rainha D. Amélia.
Estas são as construções, juntamente com a Casa do Fresco, o Moinho e o Jardim Zoológico, para além da bela estatuária, que sobressaem do conjunto edificado na Tapada. Do ponto de vista botânico  há a destacar o Jardim dos Cactos, considerado um dos melhores da Europa.
Também  a presença de diversas estruturas das quais a mais representativa é a Mãe de Água atestam o atravessamento da Tapada por ramificações  do Aqueduto das Águas Livres que em tempos forneceu água à Tapada, ao Palácio e ao Convento das Necessidades.
(Texto retirado do desdobrável publicado pelo Grupo dos Amigos da Tapada das Necessidades (GATN)














AS ÁRVORES DA TAPADA DAS NECESSIDADES

O TEIXO (Taxus baccata)







CLASSIFICAÇÃO CIENTÍFICA
Reino: Plantae
Divisão: Pinophyta
Classe: Pinopsida
Ordem: Pinales
Família: Taxaceae
Género: Taxus
Espécie: Taxus baccata L.

ORIGEM E LOCALIZAÇÃO GEOGRÁFICA
O TEIXO, (Taxus baccata) é uma árvore Gimnospérmica (subdivisão dos Espermatófitos-plantas com semente) que pertence à família das taxáceas, tal como as restantes coníferas, só que não produz cones nem é resinoso.
As taxáceas representam um ramo evolutivo das coníferas que se diferenciaram muito cedo dos outros grupos. O apogeu da sua evolução situa-se na Era Terciária e do que existiu, pouco chegou até nós. Actualmente, o Género Taxus apenas tem oito espécies, que alguns especialistas consideram como sendo variações geográficasde uma raça comum sobrevivente da dita Era.
Nasce de forma espontânea nas terras altas de Portugal, podendo no entanto ser também cultivada. Encontram-se algumas centenas deexemplares sobretudo nas serras do Gerês e da Estrela.
Na ilha da Madeira e Canárias aparece como planta indígena e rara.
Além da ilha da Madeira, surge também na Europa continental, Ásia ocidental e Norte de África.
É originária da Europa, Norte de África e Sudoeste da Ásia.

CARACTERÍSTICAS
Árvore pequena de 10 a 15 metros que excepcionalmente pode atingir os 25 metros de altura, embora frequentemente tenha um porte arbustivo, muito ramificada desde a base; copa densa e, se isolada, com forma piramidal ampla com ramos horizontais e raminhos ascendentes; tronco canelar, recto, por vezes irregular; Casca castanho-avermelhada, lisa quando jovem, depois torna-se escamosa, sulcada e com o envelhecimento, esfolia-se em placas.
Espécie que cresce nas florestas mistas da Europa. Tolera a sombra assim como a plena luz. Exige atmosfera e solos húmidos com preferência para solos calcários. Suporta bem o frio mas é sensível à geada. Cresce até 1.500 m de altitude, ou mais. Árvore de crescimento lento que pode viver de 1.500 a 2.000 anos. Propaga-sepor semente, por rebentação da toiça e também por estaca.
Os ramos crescem por gomos, muito numerosos, ovóides, pequenos, escamosos e verde-amarelados.
É uma espécie resistente à poluição urbana.
FOLHAS
As folhas são persistentes, lineares, planas, de 1 a 3 centímetros de comprimento, são aciculares, pontiagudas mas não picantes, flexíveis, lineares, achatadas, de 2-4 cm de comprimento e 3 mm de largura, verde-escuras na página superior e com duas listas verde-amareladas, pouco visíveis na página inferior.
FLORES
Espécie dióica, isto é, com indivíduos masculinos e femininos distintos. Floresce entre Março e Abril. As flores masculinas, muito numerosas, emergem, inclinadas para baixo, individualmente nas axilas das folhas, de forma esférica, amareladas, solitárias, providas de 6-14 estames, e as flores femininas, pendentes e pouco visíveis, verdes, aos pares ou solitárias, na extremidade dos raminhos, contêm um óvulo rodeado de brácteas (pequenas folhas modificadas).
FRUTOS
Os pés femininos dão nos finais do Verão e durante o Outono do mesmo ano um falso-fruto, que não é mais que uma semente ovóide, tóxica, de 6 a 7 mm envolvida por uma cápsula (arilo) carnuda, vermelha quando madura, não tóxica.
UTILIZAÇÃO
As medidas tomadas em favor da protecção do teixo começam a darbons resultados, aparecendo como árvore ornamental em áreas florestais, por os exemplares femininos darem uma semente envolta numa cápsula de um vermelho vivo durante parte do Outono e Inverno, que contrasta com as folhas verde-escuras.
A sua madeira é resistente, flexível, bastante dura, avermelhada ou castanha, e de boa qualidade. É aproveitada no fabrico de peças de mobiliário, torneados, esculturas e arcos de flechas; é também apreciada por imitar o ébano quando tingida de preto; as suas raízes servem para fazer os arcos de violino.
Como suporta bem a poda é também usado em sebes e ornamentação.
OBSERVAÇÕES
Com excepção da cápsula vermelha que envolve as sementes, todas as partes verdes do teixo possuem um alcalóide tóxico, a taxina, que o torna perigoso, tanto para os animais como para os homens, característica que explica a sua destruição sistemática de há séculos para cá. Tal acção do homem colocou a espécie em vias de extinção, e por isso deve-se ter cuidados em não colher ou danificar especímenes no seu meio natural.
Se a taxina é tóxica para os homens e outros animais, esta substância tem sido utilizada na luta contra o cancro.
O que mais uma vez ilustra a necessidade absoluta de preservar a biodiversidade.
CURIOSIDADES
- Na Idade Média utilizava-se a madeira de teixo na construção de bestas e no fabrico de arcos de flechas. Pensa-se que era a matéria prima para os arcos de Robin dos Bosques, principalmente por ser a madeira utilizada nos arcos de guerra ingleses desse período.
- Caso raro numa conífera, as estacas do teixo são arbustivas, o que facilita a propagação desta espécie, designadamente por “mergulhia”.
- Devido à sua longevidade (que o associa à vida eterna) e à sua toxicidade, que proíbe o acesso dos cemitérios ao gado, o teixo orna muitos cemitérios, nomeadamente em vários países do norte da Europa.
- É considerada uma espécie vulnerável podendo vir a correr riscos de extinção em Portugal, pois está muito circunscrita em sítios montanhosos e elevados das serras do Gerês e Estrela.O seu declínio deve-se à destruição dos seus habitats naturais, como a desflorestação, e ao facto de a sua casca, folhas e sementes serem venenosas e por isso terem sido alvo de perseguições das populações.
- “ Andei há tempos várias léguas para ver um teixo, que é uma árvore que os botânicos dizem que vai acabar”.
Miguel Torga (in Diário IV, de Novembro de 1947)

- É de considerar também que o nome do rio Tejo tenha derivado desta planta. De facto a abundância do teixo nas serras onde nasce o rio Tejo, a importância cultural que esta árvore tinha para os povos locais e a procura deste recurso por parte de Roma resultasse no nome da planta ser atribuído ao próprio rio pelos romanos. Acresce a subsistência até aos nossos dias da proximidade fonética entre os nomes do rio e da planta nas várias línguas latinas da Península Ibérica.


PRESENÇA NA TAPADA DAS NECESSIDADES
Além do exemplar isolado, existente junto ao muro de suporte de terras, que tem o seu início perto da Estufa Circular, existe um outro, localizado perto da entrada sul, frente ao lago inferior e ao dragoeiro monumental (talvez o mais alto conhecido em Portugal).
EXEMPLARES CLASSIFICADOS NA CIDADE DE LISBOA
Existem dois exemplares classificados no Jardim Braamcamp Freire (Campo Santana) ou Campo dos Mártires da Pátria.
João Pinto Soares